Adelaide saltitava feito uma cabrita, numa rua empoeirada do sertão baiano. Era uma versão mambembe da fábula Alice no País das Maravilhas. A menina alimentava em seus pensamentos crendices inocentes de amor, cactos falantes e outras esquisitices.

Da série 'Um lugar chamado aprazível' que ilustra essa crônica | Foto: Otávio Nogueira

Da série ‘Um lugar chamado aprazível’ que ilustra essa crônica | Foto: Otávio Nogueira

Se deparara, naquela saltitância, com uma placa pregada num casebre de taipa: “Vende-se Sonhos”.

– Uau! Sonhos!?! Meu Deus, como será que eles conseguem vender sonhos? Deve ser a coisa mais linda do mundo! Vem em caixas decoradas? Será que eles engarrafam os sonhos? Que coisa linda. Nesse mundo em que as pessoas estão tão ruins, há quem venda sonhos… Devaneava Adelaide, em seus pensamentos férteis.

Ao chegar em casa a garota sertaneja não se contia em ansiedade para dividir com a mãe aquela descoberta: os vendedores de ‘sonhos’.

– Mãe, mãe. Descobri a coisa mais linda do mundo. Temos vizinhos que vendem sonhos. Deve ser a coisa mais linda do mundo. Só não sei ainda como eles conseguem pegar os sonhos para vender. Será que eles invadem o sono das pessoas boas…

Ainda construía sua tese trivilusca quando a mãe, dona Jacira, insensível, interrompeu…

– Você é abestalhada, menina!? Sonho é um pão frito, com recheio de goiabada!

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