Todos esperavam uma goleada da Argentina diante do limitado time do Irã. Os iranianos, aliás, haviam protagonizado a pior partida da Copa até agora, naquele 16 de junho, contra a Nigéria, em Curitiba.

E a Argentina do contestado técnico Sabella resolveu escalar três atacantes: Higuaín, Aguero e Messi – sem falar em Di Maria vindo mais de trás.

Bastou a bola rolar para que os argentinos vivessem em campo um dramático tango. O experiente técnico português Carlos Queiroz armou uma verdadeira muralha iraniana na tentativa de resistir ao poderio ofensivo do adversário. Deu certo. No primeiro tempo, o ferrolho do Irã contou com os 11 jogadores marcando no campo defensivo, atrás da linha da bola.

Foi praticamente um primeiro tempo de ataque contra defesa. Com um detalhe importante: a defesa do Irã levando vantagem sobre o ataque da Argentina. Não passava nada. A qualidade técnica dos comandados de Sabella não se confirmava diante dos heroicos iranianos, que se contentavam, apenas, em não levar gol.

Mas veio o segundo tempo, e o Irã resolveu contra-atacar. Ao mesmo tempo, mantinha-se impenetrável em sua defesa, embora Di Maria investisse com frequência pelo lado esquerdo. Messi, por sua vez, sucumbia a marcação, bem como Higuaín e Aguero. A torcida brasileira presente no Mineirão aproveitava para incentivar a zebra. A Argentina era atrapalhada por tanto nervosismo e ansiedade.

E a melhor chance de gol do jogo, acreditem, foi do Irã. O time desacreditado de Carlos Queiroz não contentava-se mais em apenas defender, pois vira que o monstro não era tão feio assim. Não por acaso, o contestado goleiro Romero salvou a Argentina mais de uma vez.

A inoperância ofensiva (quem diria) fez com que Sabella trocasse, de uma só vez, Aguero e Higuaín por Lavezzi e Palacio. Já tínhamos 32 minutos da etapa final. Mas as substituições também se mostraram incapazes de furar o setor defensivo dos iranianos. Se fosse mais ousado taticamente, o técnico argentino sacaria o volante Gago, de má atuação, colocando um meia ou um atacante.

E o árbitro sérvio Milorad Mazic deixou de dar um pênalti para os iranianos.

E Diego Maradona assistia a tudo das arquibancadas. Mas nem sua endeusada presença inspirava seus compatriotas no campo.

Mas aí, já nos acréscimos, quando o jogo já se encaminhava para um 0 a 0 com gosto de goleada para o time da terra dos aiatolás, brilhou a estrela do gênio. Discreto durante praticamente 90 minutos, Messi recebeu a bola pelo lado direito, cortou para a esquerda, procurou um pequeno espaço para o chute de esquerda e colocou a bola fora do alcance do ótimo goleiro Haghighi.

Era a Argentina provando, mais uma vez, de sua “Messidependência”. O craque fez a diferença e evitou o vexame. E a imensa torcida presente no Mineirão, mais aliviada, foi a loucura. Eles – é bom que se diga – provaram mais uma vez que torcem muito melhor que nós. Cantaram e apoiaram o jogo todo, mesmo que o time não estivesse correspondendo.

E a Argentina, apesar de mais um tango dramático, está classificada para às oitavas.

Pero, com a exceção de Messi, não tem assustado ninguém.

 

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