Torcedor tricolor, torcedor rubro-negro: você lembra a última vez que tivemos um Ba-Vi na série A do Campeonato Brasileiro? Vixe… Perguntinha escrota, não? Com o auxílio de “Santo Google” até que fica fácil de responder a questão. Sem ele, de cabeça, com ajuda apenas da memória, a missão é das mais complicadas. Aqui vai a resposta: foi no dia 21 de setembro de 2014, na Fonte Nova. Naquela longínqua tarde de domingo, o Vitória derrotava o Bahia por 2 a 1, de virada, gols de Kadu e Luiz Gustavo. Kieza descontou. Pouco adiantaria: ambos caíram abraçados naquele ano para a segunda divisão do Brasileirão.

O Vitória, ao menos, retornou à elite do futebol nacional no ano seguinte. Mas e agora? Na série A, o rubro-negro abre, atualmente, a temível zona de rebaixamento, isso faltando apenas cinco rodadas para o término do campeonato. O Bahia, por sua vez, está na quinta colocação na série B – a um ponto de distância do quarto colocado (Náutico), é verdade – mas se a segunda divisão terminasse hoje, estaria mais uma vez ausente da divisão principal no próximo ano.

Nas ruas de Salvador, desde às discussões nas mesas de bar e bancos de praças, as brincadeiras entre os torcedores dos dois clubes rivais não fogem muito desse tom:

– Você vai cair!

– Pode até ser. Mas você não vai subir.

É um papo meio que de elevador, portanto… Um sobe, o outro desce. O ideal mesmo para o fortalecimento do futebol baiano é que os dois estivessem na primeira divisão em 2017. Fonte Nova e Barradão de casa cheia, com os olhos do Brasil novamente voltados para um dos maiores clássicos do País. Aliás, do mundo. Levantamento da revista inglesa Four Four Two, divulgado em abril, listou o duelo entre os 50 maiores do planeta. Como é que times a exemplo da Ponte Preta e Chapecoense podem ascender de divisão e se manterem na elite, enquanto Bahia e Vitória penam para jogar na série A? Por que os últimos anos reservaram tamanho sofrimento para torcedores tricolores e rubro-negros? Entre as respostas estão má gestão, falta de criatividade dos dirigentes e políticas de contratação equivocadas.

Bahia e Vitória precisam, urgentemente, de profissionais que dominem a área de gestão e, ao mesmo tempo, tenham bom conhecimento de futebol. São pré-requisitos básicos, eu diria. Mas quando contam com um, falta-lhes o outro. Ou falta-lhes os dois, o que é ainda mais desolador. Gerar bons frutos nas categorias de base e saber promover esses garotos no momento mais adequado é outro desafio, bem como criar planos de sócios realmente atrativos para os torcedores. Quem sabe assim as gozações entre tricolores e rubro-negros passem a ter um nível melhor, mais condizente com as camisas que esses dois grandes do futebol brasileiro ostentam:

– Eu vou ser o campeão. Vou para a Libertadores do ano que vem!

– Aonde, meu irmão? Eu quero é prova e 1 real de Big-Big! Quem vai sou eu!

Hoje é bem difícil. Eu sei. Mas sou um otimista.

Saravá!

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