Abrindo as comemorações pela passagem do Mês da Consciência Negra, Mamah Soares e o Coletivo di Tambor promovem um encontro musical em homenagem às influências afro nos mais diversos ritmos. A noite trará como convidados o guitarrista Átila Santanna e o baixista Fabricio Mota, ambos da banda Ifá Afrobeat, e o Dj Pureza. O show será dia 03 de novembro, a partir das 22h, na Borracharia, Rio Vermelho. Entrada: R$ 20,00 (vendas no local).

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A noite de festa busca atrair as pessoas ao Rio Vermelho, bairro já conhecido por sua boemia, de uma forma que se experimente o lazer diretamente conectado com a fruição artística que conta uma história, que se vincula por uma identidade. “Precisamos circular, ocupar Salvador curtindo o legado secular que nos formatou, porque nós falamos muito nas nossas raízes culturais, e nem sempre percebemos como isto está no nosso dia a dia, naquela saída com os amigos, numa festinha descontraída. A influência africana vive no nosso cotidiano”, diz o cantor e percussionista Mamah Soares.

 

Entre os ritmos pesquisados pelos músicos do Coletivo di Tambor, estão o baião, o xaxado e o xote, conhecidos como regionais nordestinos, o ijexá, bastante executado em Salvador e região do Recôncavo da Bahia, e o carimbó paraense, considerado de origem indígena com influências da cultura negra. “Quando a gente pensa, por exemplo, que o baião veio do lundu que os negros de angola escravizados dançavam, da umbigada, a gente começa a criar uma teia de relações que nos reconectam com uma identidade que se transformou, mas não se perdeu”, conta Mamah. Nos shows, o grupo traz também sons com influências dos dub jamaicano, black beat, afrobeat e a guitarrada, que remete, novamente, a essa interconexão que chega à África, já que o carimbó e o merengue marcam a composição do ritmo. O Coletivo di Tambor é formado por Mamah Soares (voz e percussão) e pelos baterista Daniel Ragoni, baixista Sérgio Oliveira, guitarrista Angelo Canja e pelos percussionistas Anderson Capacete e Barrak Black.

 

A HISTÓRIA DE MAMAH SOARES E COLETIVO DI TAMBOR

 

Mamah Soares é percussionista, cantor, compositor, arranjador e produtor musical. Começou a carreira na percussão no início da adolescência em encontros de sambas juninos. “Em casa, eu tocava nas panelas, na mesa, na geladeira. Depois é que eu fui pra rua, tocar em grupos musicais”, lembra o artista. De uma família de músicos, traz sua história arraigada às sonoridades que movimentam a cena cultural baiana. “Meu pai, Toni Merengue, já era percussionista quando foi chamado para compor uma banda que veio de São Paulo para cá. Deram uma timba para ele tocar de uma forma diferente e meu pai teve pouco tempo para aprender tudo do jeito que queriam. Acabou se tornando referência. Para mim, meu modelo, a fonte que me inspira”, conta. Os músicos Cláudio Coelho e Everaldo Águia, irmãos de Mamah, que fizeram carreira na Timbalada, também compõem essa história de família musical.

 

mamabrn_9190Em quase três décadas dedicadas à arte, Mamah Soares fez parte de grupo diversos como Lampirônicos, Pagolada, Orelha de Van Gogh e também a Timbalada. Ao longo de sua trilha musical, encontrou batida na fusão do ijexá, samba, hip hop, trip hop e a música afro latina, realizando um trabalho experimental. Em 2007, viajou para Portugal, onde passou um ano ministrando aulas de percussão e atuando como músico instrumentista.

 

Coletivo di Tambor – A formação base do Coletivo di Tambor começou assim que Mamah Soares voltou da Europa e, junto com outros músicos da vizinhança, procurou um local para estudar percussão. Acabaram se decidindo pela orla do bairro de Amaralina. “Não dava para estudar em casa sem incomodar os vizinhos. Então pensamos em levar os instrumentos para a praia, onde não perturbaríamos ninguém”, lembra o percussionista. Assim, todo começo de semana, os músicos desciam a ladeira com seus instrumentos e iam ensaiar na Ilha, uma pedra no meio do mar de Amaralina que fica acessível durante o tempo da maré vazante. “Lá, nós dividíamos nossas experiências, limpávamos nosso toque – a maneira como se bate o instrumento para conseguir um determinado som – e experimentávamos ritmos”, lembra. Em 2010, eles se mudaram definitivamente para o Largo das Baianas de Amaralina, prosseguindo com a pesquisa de ritmos e construindo a sonoridade musical que viria a se tornar a marca do grupo, assumindo em definitivo o nome Coletivo di Tambor.

 

O projeto foi tomando novos rumos e o grupo já em eventos como Verão Coca-­Cola, FIAC, Festival Lado BA, Panorama Internacional Coisa de Cinema, Réveillon de Salvador, Stereo Sul/Conexão Vivo (Itacaré ­ BA). Em uma das apresentações, no Carnaval em Salvador, o Coletivo di Tambor dividiu o trio elétrico com Dão e sua Caravana Black, além do DJ Sankofa, de Gana, momento em que gravaram o primeiro videoclipe, com a canção “Coletividade”, que no ano seguinte integraria o EP “Sistema de Energia Sonora”, primeiro trabalho de estúdio do grupo.

 

Em 2014, com o projeto “As Lendas”, o Coletivo se apresentou por coretos de Salvador. Contemplado pelo edital “Arte todo dia”, da Fundação Gregório de Matos (Prefeitura de Salvador), o grupo recebeu, na ocasião, convidados como Mateus Aleluia, Cacau do Pandeiro, Lula Nascimento e Mestre Lourimbau. Entre artistas que já subiram ao palco com Mamah e os músicos do grupo, estão também as norte-americanas Ama Chandra e Michaela Harrison, Marcio Mello, Nara Gil, Claudia Cunha, Cicinho de Assis, além de MCs da cena soteropolitana.

 

O grupo lançou o EP “Sistema de Energia Sonora”, produzido por André T. A faixa “A Filha de Calmon” foi contemplada com o Troféu Caymmi 2015 nas categorias Melhor Videoclipe e Melhor Direção. Tiveram músicas selecionadas para os volumes 1 e 3 da coletânea Kafundó Records, que estão sendo divulgados por seus produtores nos EUA. Em 2016, o grupo tocou no Carnaval Ouro Negro no Pelourinho e, mais uma vez em estúdio, gravou o single “Sabor da fruta” com participação especial do cantor Felipe Cordeiro.

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