Desde moleque o cheiro do cuscuz sertanejo feito por uma querida tia me inquieta a cada preparação do jantar. Há décadas que esta iguaria do sertão baiano faz parte do meu cardápio – mesmo com a moda de comer de forma light, sobretudo à noite.

Mas esse cuscuzinho, totalmente desvirtuado do original árabe, tem gosto de coisa boa, remente às riquezas culturais dessa Bahiazona de meu Deus, às emoções da infância em Ribeira do Pombal, município do nordeste da Bahia, deste mambembe cronista que vos escreve. Mesmo apaixonado pela Soterópolis, não se esquece das raízes sertanejas, por isso essa série de crônicas gastronômicas que nomearemos de “Delícias do  Sertão”.

Cuscuz pronto, é só saborear essa iguaria nordestina. | Foto: Cadu Freitas/BnL

Cuscuz pronto, é só saborear essa iguaria nordestina. | Foto: Cadu Freitas/BnL

Muitos amigos, que já provaram, vivem a me azucrinar, pedindo-me a receita. Não existe uma, mas várias formas de fazer esse cuscuz sertanejo – a la Cadu. Depende do que tenha na geladeira e na despensa.

Aqui, dando uma de “chef”, com a devida licença do amigo Allan Santos – nosso ilustre colunista do ‘Papo Gastrô’ -, compartilho o passo-a-passo desse prato típico da culinária nordestina.

O recheio, com bacon, cebola, calabresa, tomate e tempero verde grelhados. | Foto: Cadu Freitas/BnL

O recheio, com bacon, cebola, calabresa, tomate e tempero verde grelhados e ovo de quintal mexido. | Foto: Cadu Freitas/BnL

Primeiro, eu preparo o recheio… Grelho fatias finas de bacon, calabresa, bastante cebola cortada em tiras, tomate em tiras e tempero verde picado (costumo comprar esses temperos em feirinhas de bairro, muito melhor que em supermercados)… Frito uns ovos de quintal mexidos, misturo tudo e reservo.

Geralmente uso outras cositas – carne seca, charque (tem que ser de primeira!)… Mas nesse, usei só o recheio acima. Acredite, dá vontade de comer antes do prato finalizado. Resista!

Preparo da base do cuscuz, sem muitos segredos... | Foto: Cadu Freitas/BnL

Preparo da base do cuscuz, sem muitos segredos… | Foto: Cadu Freitas/BnL

Depois, vamos para a base do cuscuz. Este não tem segredo (quer dizer, eu uso um ingrediente a mais). Flocos de milho – prefiro o da Vitamilho, e não é merchan! -, sal a gosto e água gelada. Mistura tudo e deixa descansar por alguns minutos – desculpem chefs de plantão, eu não cronometro.

Ah, meu ingrediente a mais na massa do cuscuz são duas colheres de sopa de farinha de mandioca. O cuscuz fica bem macio e saboroso.

A mistura do recheio e a massa do cuscuz. | Foto: Cadu Freitas/BnL

A mistura do recheio e a massa do cuscuz. | Foto: Cadu Freitas/BnL

Depois misture o recheio à massa e coloque no cuscuzeiro (não se esqueça de colocar água no compartimento de baixo do cuscuzeiro. Conheço vários casos hilários de esquecimento). Depois é só colocar no fogo e cozinhar por uns 15 minutos, dependendo da potência do seu fogão. Espete o cuscuz com um garfo, se ele não desmanchar é porque está pronto.

Cuscuz fumaçando, no fogo, o cheiro isala a casa toda. | Foto: Cadu Freitas/BnL

Cuscuz fumaçando, no fogo, o cheiro exala a casa toda. | Foto: Cadu Freitas/BnL

Agora é só servir. Não é ‘Seara’, mas o sabor vai te surpreender. A dica de acompanhamento é uma generosa caneca de café com leite e canela em pó.

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