Série revivendo boas histórias da estrada! Nessas férias de janeiro, o Bahia na Lupa rememora reportagens antigas de alguns roteiros de viagem por nosso imenso território baiano. Gente, lugares, comidas, costumes…

Poooooom! O apito anuncia que o trem está chegando à estação. Numa marcha cadenciada, a locomotiva de quase 100 metros de extensão vai surgindo em meio à poeira e vegetação típica do sertão baiano. Parece, num instante, uma releitura extemporânea da Pasárgada do poeta Manuel Bandeira, num recontexto mambembe, à baiana: ‘Vou-me embora pra Pasárgada’ – ou Salgadália -, é pra lá que eu vou.

A velha estação de trem, e a imponente locomotiva que corta o sertão sisaleiro. Foto: Cadu Freitas/BnL

A velha estação de trem e a imponente locomotiva que corta o sertão sisaleiro. Foto: Cadu Freitas/BnL

Salgadália é uma localidade escondida na região sisaleira do Estado, pertencente ao município de Conceição do Coité. O lugar  guarda como principais riquezas as tradicionais estranhices e peculiaridades pitorescas da região, a calmaria dos ventos frios que sopram por lá, a hospitalidade de sua boa gente e aquela sensação de tranquilidade, paz, só encontrada na ‘roça’.

O belo pôr do sol do lugar. | Foto: Cadu Freitas/BnL

O belo pôr do sol do lugar. | Foto: Cadu Freitas/BnL

Lá, as mulheres, para ficar emperiquitadas, enrolam em seus cabelos gigantescos bobes. À primeira vista é algo que assusta, mas logo você se acostuma com aqueles cabelos que mais lembram uma enorme colmeia.

Os famosos bobes de Coité… e de Salgadália. | Foto: Cadu Freitas/BnL

E o que falar da feirinha. Aos sábados, as mulheres se ajeitam, as pessoas dos povoados vizinhos pegam a ‘Veraneio’ [veículo antigo, próprio do sertão] e lotam o pequeno povoado, distante cerca 217 km da capital baiana.

Os pães de sal caseiros são uma pedida que não se pode dispensar. Comê-lo com um generoso pedaço de requeijão de Santa Bárbara é algo difícil de descrever. É maravilhoso!

A linha férrea… 

A antiga linha férrea. | | Foto: Cadu Freitas/BnL

Na antiga linha férrea, a menina se aventura brincando, enquanto o trem não vem. | | Foto: Cadu Freitas/BnL

À noite, a balada é garantida na pracinha de Salgadália. Não precisa ter bandas tocando, nem boate, nem essas coisas da cidade grande. Só é preciso se arrumar, botar a melhor beca do guarda-roupa e ir bater perna. Ah! Mas, é preciso vestir um bom casaco, o frio à noite é tão intenso quanto o calor diurno. A diversão é garantida. Os bares se encarregam pela trilha sonora das noites salgadarenses – as vezes rola shows e outros eventos culturais nas casas de shows que têm se espalhado no lugarejo.

Cada entardecer o por do sol é ainda mais magnífico e encantador. | Foto: Cadu Freitas/BnL

Cada entardecer o por do sol é ainda mais magnífico e encantador. | Foto: Cadu Freitas/BnL

O destino é garantia de descanso, de aproveitar a riqueza da cultura sertaneja, comer um bom pedaço de carne de porco assado, ou bode frito, com farofa d’água e um canecão de café preto. No período junino Salgadália é ainda melhor e mais badalada. Mas as paisagens naturais são seus melhores atrativos.

 

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