E então morre no México, aos 86, Roberto Bolaños.

Roberto, como todos sabem, foi o criador e a própria encarnação do Chaves, do Chapolin Colorado, e de mais alguns personagens.

Roberto Gómez Bolaños (1929-2014), o eterno e agora saudoso Chaves. | Foto: Divulgação

Roberto Gómez Bolaños (1929-2014), o eterno e agora saudoso Chaves. | Foto: Divulgação

Morreu em casa, aparentemente de morte natural decorrente dos problemas respiratórios do qual sofria já há algum tempo, de acordo com a Televisa. Gosto de pensar que ao seu lado estava Dona Florinda, cujo nome real é o mesmo do personagem. Florinda Meza foi esposa de Bolaños durante os últimos dez anos.

Roberto Começou sua carreira no fim dos anos 1960, quando estreou na Televisa como Chespirito, já ao lado de boa parte do elenco que daria vida ao Chaves. No começo dos anos 1970, colocou no ar o Chapolin Colorado e posteriormente, o programa que o tornaria imortal, o “Chavo Del Ocho”.

Isso, isso, isso... | Ilustração: Latuff - Opera Mundi

Isso, isso, isso… | Ilustração: Latuff – Opera Mundi

Jamais houve no Brasil um programa de TV cultuado como Chaves. Nesse sentido, é mais ou menos como os Beatles – atravessa gerações, faz sentido em qualquer momento histórico, une o pop ao cult, e se perpetua apesar de todas as limitações técnicas da época em que foi feito.

A mim parece que o humor brasileiro, de modo geral, sempre foi feito para que o rico risse do pobre, e o pobre risse de si mesmo. Do Didi Mocó ao Tiririca. Esta regra, com exceções, evidentemente, vem de muito longe, desde que me conheço por gente.

Nenhum dos grandes comediantes brasileiros, por melhores momentos que tenham vivido, por mais dinheiro que tenham tido para suas produções, por mais promoção que tenham recebido das TVs para as quais trabalhavam, souberam captar o espírito do brasileiro como Roberto, lá do México, sem querer captou.

Chaves tem uma mensagem clara. Mais que isso: tem uma mensagem justa. Captou o que chamam de “espírito do tempo” – a convivência entre classes sociais distintas. De Chaves, o mais pobre da turma, ao Nhonho, o mais rico, há uma grande variedade de classes sociais e níveis culturais, que os divide. O elo é inexorável: a fraqueza humana.

Entender como lidar com isso é o grande desafio dos séculos em que vivemos. Chaves lê esse desafio e traduz de forma extremamente simples.

Roberto Bolaños foi o maior gênio da TV brasileira. O fato de ter nascido no México é irrelevante.

*Por Emir Ruivo/Diário do Centro do Mundo

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