Algumas pessoas têm o hábito de, quando querem expressar algo sem parecerem soberbas e arrogantes, começarem a frase com “Eu não sou melhor que ninguém, mas…”. Essa é uma grande mentira social. Primeiro porque quem diz isso, geralmente, acredita que sua forma de pensar e agir é mais adequada que a do outro, ou seja, melhor. Essa frase é o anúncio de uma tentativa de convencer – ou converter – quem ouve a mudar de posicionamento…

Por Fran Amaral*

O segundo ponto, talvez o mais mais importante, é que todos, todos somos melhores que alguém em algo.

Existe uma visão social estranha, através da qual ser melhor que o outro parece algo ruim. É como se o fato de existir alguém melhor seja um atestado de total e absoluta  incompetência para os demais. A vaidade humana, que precisa ser constantemente alimentada, não aceita ser inferior.  Disso, surge uma disputa velada e generalizada, onde todos querem sempre ser os melhores. O resultado é o afastamento. Nos afastamos uns dos outros, nos enxergando mutuamente como oponentes.

A questão, a boa notícia, a ótima notícia é que não precisa ser assim. De fato, repetindo, somos todos melhores uns que os outros. Em algo. E piores em outros aspectos. O que o mundo precisa é que usemos o nosso melhor para somar, para ajuntar, ao invés de dissipar.

Eu sou ótima com texto, minha amiga é maravilhosa em pesquisas. Um é o melhor médico de todos, a outra é uma professora capaz de envolver até os alunos mais arredios. Aquele é incrível com animais, e este outro com máquinas. A vizinha é uma musicista excepcional e a outra é a pessoa mais sensata do mundo, que sempre enxerga tudo com a clareza necessária para tomar as melhores decisões. Um é forte fisicamente, o outro emocionalmente. Todos temos algo de melhor.

Temos todas as ferramentas que precisamos para tornar o mundo um lugar saudável, que é o que a maioria de nós deseja. O que falta é fazermos a nossa parte. “Um pequeno gesto de amor de cada vez”.

Ilude-se quem acredita que as grandes mudanças acontecem apenas com as atitudes grandiosas. E engana-se ainda mais quem pensa que as atitudes grandiosas são aquelas dignas de outdoors. Não… As atitudes grandiosas são aquelas que melhoram o dia de alguém, inclusive o seu próprio dia.

Vamos deixar de lado as disputas e a busca incansável por perfeição. “O ótimo é inimigo do bom”. Vamos reconhecer o melhor do outro, o melhor que há em nós, somar nossas habilidades e criar uma corrente de colaboração que, como uma pedra em um lago, produza ondas, reverbere e mude o mundo. Diariamente. Todos os dias.

Qual o seu melhor?
*Fran Amaral é jornalista, poeta e mãe. Viciada em livros, observadora apaixonada do comportamento humano, forte questionadora dos dogmas sociais e escritora nas horas vagas.

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