As relações sociais estão cansativas de tão breves. Tudo chega e vai embora em questão de segundos. A chegada e a partida de alguém pode ser decidida com uma simples troca de mensagens de texto no Whats App. Namoros começam, namoros terminam… É só apertar o enter e resolver o problema. Como assim? É sobre isso que os convido a pensar!  

Os relacionamentos online e o afastamento humano. | Foto: Armando G Alonso

Os relacionamentos online e o afastamento humano. | Foto: Armando G Alonso

As redes sociais tem tido um papel importante nesse atribulado reino das relações afetivas! Os barulhentos programinhas e aplicativos das redes sociais, em minha observação, são o novo mal do século. Vou deixar as outras redes e focar no atual Whats App! Parafraseando Bukowski, o Whats App é um cão dos diabos! O que pensam os homens e as mulheres sobre esta ferramenta? Como eles as utilizam? E elas, o que pensam sobre isso? Falo principalmente de quem está engatando um relacionamento, ou mantendo um caso, namoro, casamento, ou algo do tipo “mais duradouro”… Tratando apenas de relações em que haja algum sentimento, nesse caso.

No geral, a matemática é simples. Para os homens (eu falo do macho alfa!), o famigerado Whats App e as demais “redes de relacionamento” são um cardápio com opções incríveis, diversas, com baixo preço e variedade garantida. É o terreno livre para fazer investidas secretas e seguras, sem necessitar empenhar muito esforço ou gastar grande energia. É só ir teclando, iniciando conversas, conhecendo pessoas e paquerando a vontade! É o terreno ideal para abrir as asas e voar, sem que a companheira sequer desconfie! Só há um risco pequeno, porém fatal! Com um facílimo PRINT SCREEN na tela, o cara pode entrar numa roubada! Pega visão, cara!

A arte de caminhar e não desgrudar os olhos da telinha. | Foto: David van der Mark

A arte de caminhar e não desgrudar os olhos da telinha. | Foto: David van der Mark

E para as mulheres? Para apaixonadas e ciumentas é sempre mais difícil? Para a maioria das mulheres, as redes sociais são a causa de problemas diários e motivo de paranoia constante! Justamente por saber da grande oferta e das promoções presentes no cardápio, elas piram, enlouquecem e despertam para uma nova habilidade contemporânea, ser STALKER. Longe de todas as senhas do amado, para a mulher só o que resta é stalkear 24hs as redes sociais, descobrindo interesses, sacando status, lendo as entrelinhas das entrelinhas de comentários, curtidas, legendas de fotos, e sabe lá Deus o quê mais! Ou seja, ela se vê constantemente ameaçada por outras pessoas estranhas.

E isso é vida? Eu me pergunto se isso é saudável? Que loucura! Está instalado o clima eterno de insegurança no relacionamento a dois, e ninguém dorme mais tranquilo depois que o parceiro ou parceira passou horas inteiras grudado no celular. Não dormirá. Nunca mais!

Juntos? | Foto: Roel Wijnants

Juntos? | Foto: Roel Wijnants

O fato é que as redes sociais comprometeram sim as relações sociais, mas principalmente o terreno da afetividade. Ao oferecer uma infinidade de possibilidades de parceiros, ao apresentar uma variedade absurda de perfis que cativarão os nossos amados egos e nos incitarão ao erro da traição.  São promessas gigantescas de que a vida do outro é melhor do que a de seu parceiro, porque, afinal, você viu o que ele postou? Você viu a frase que ele disse ontem na rede? Você observa os lugares onde ele vai? Ele se diverte muito, aquela ali sabe se arrumar, aquele fulano está sempre sorrindo, aquele cicrano é super bem-humorado… Tudo balela, conversa fiada e enganação! No fundo, a maioria das pessoas que vendem sorrisos nas redes sociais está fudido, sem grana, sem amor, cheio de trabalho e sempre mal humorado de manhã, tem mil problemas na cabeça EXATAMENTE como você. Mas, ainda assim tem gente que gosta de se enganar. O fato é que muita gente está se entregando a promiscuidade de corpo e alma, e acreditando que está “se relacionando”.

Rede social não é vida real, e é preciso saber separar muito bem as coisas.

Rede social? Ou 'antissocial'? | Foto: Kārlis Dambrāns

Rede social? Ou ‘antissocial’? | Foto: Kārlis Dambrāns

É claro que tem gente que não enlouquece, quem tem relacionamentos que duram infinitos basicamente pela interação gerada nas redes sociais, que tem gente menos doida, que tem casal que se respeita, que de vez em quando há amor e uma lealdade incrível que nenhuma rede social será capaz de abalar… Mas o que eu estranho é que isso está cada vez mais raro – e parece modinha utilizar as redes sociais somente como vitrine.

Vejo muita gente se perdendo, pessoas que se conectam e desconectam muito fácil, que estão avessas ao amor, que não se responsabilizam e não querem se responsabilizar pelo coração de ninguém. E só o que interessa é ir vivendo assim velozmente, pulando de galho em galho, aproveitando as novas promoções para comer em restaurantes diferentes e acreditando que isso é diversão ou fazendo disso um projeto de vida.

E essa é Raiara Azevedo, a mais nova colunista do Bahia na Lupa que, toda semana, vai destilar na coluna 'Mulher Sem Mimimi' toda doçura da acidez feminina. Acompanhem! | Foto: Divulgação

E essa é Raiara Azevedo, a mais nova colunista do Bahia na Lupa que, semanalmente, vai destilar toda doçura da acidez feminina, em sua coluna ‘Mulher Sem Mimimi’ . Acompanhem! | Foto: Divulgação

Eu não sei não, mas vivendo nesse mundo estranho, eu não me sinto pessoa, não me orgulho de ser pessoa, preferiria até ser bicho. E é porque eu tenho uma alma antiga e ainda acredito no amor. Pra mim, relacionamento foi feito pra durar. Toda a tecnologia deveria ser utilizada para aplacar as saudades, diminuir as distâncias, melhorar o nível e a qualidade das relações. Por que diabos estamos fazendo tudo ao contrário?

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