Lá vem o menino das cocadas. Franzino, de pequeníssima estatura, resistia ao vento forte e parecia compor aquela bela paisagem na Praia da Cueira. Ainda bambeando no português, a inocência aflorando o olhar denunciavam: era uma simples criança, que mal saíra das fraldas e já estava na lida, no labor para ajudar na renda familiar. Coisa de meninos de ilhas isoladas da dita civilidade. O divertimento maior? Ganhar uns trocos da turistada gente boa…

– Vai uma cocada, tio?

– Venha cá! Quais os sabores?

O menino das cocadas, tão singular quanto o cartão postal... | Foto: Cadu Freitas/BnL

O menino das cocadas, tão singular quanto o cartão postal… | Foto: Cadu Freitas/BnL

– Coco normal, queimado e coco com maracujá!

– Quero duas: coco queimado e maracujá. Tome cinco conto!

Com aparente nervosismo, por não ter familiaridade veterana no trato com dinheiro, o menino das cocadas gagueja ao devolver-me dois reais de troco.

– Não, nego, você tem que me dar apenas um real!

– Mas só tenho esse, tio.

– Então, não precisa me dar troco. Pode ficar! O troco é seu!

O colossal coqueiral da Praia da Cueira, em Boipeba/BA. | Foto: Cadu Freitas/BnL

O colossal coqueiral da Praia da Cueira, em Boipeba/BA. | Foto: Cadu Freitas/BnL

O brilho no olhar saltou na hora! A expressão de timidez logo deu lugar a um sorrisão. Saltitante, o menino das cocadas partiu a tagarelar sozinho, como se tivesse ganhado um prêmio, até sumir no horizonte daquela colossal coqueiral.

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