A exclusão do Grêmio da Copa do Brasil devido aos insultos racistas de parte de sua torcida destinados ao goleiro Aranha, do Santos, é histórica, mesmo que haja possibilidade de recurso ao pleno do Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD).

O Grêmio foi condenado, sobretudo, por conta da reincidência, embora a instituição em si não seja racista. No julgamento desta quarta-feira, 03 de setembro, os auditores entenderam que, se no caso Aranha foram meia dúzia de “torcedores”, em outros houve coro de intolerância. Eles fizeram referência aos cânticos contra Fernandão – ídolo do Internacional que morreu neste ano em trágico acidente de helicóptero – no Gre-Nal, quando ironizaram a morte do jogador. E também ao uso do termo “macaco” no jogo seguinte ao do episódio dos insultos contra Aranha, que vieram do espaço da torcida organizada Geral.

A imprensa do Rio Grande do Sul cansou de avisar que um dia o Grêmio ia pagar por estas insanidades. A atitude exemplar do presidente Fábio Koff no que diz respeito a tentativa de identificar os agressores que insultaram Aranha, além da suspensão da torcida organizada dos jogos na Arena, merece aplausos, mas veio tarde demais. Faltou prevenção, antecipar-se ao pior. Lamentavelmente, alguns torcedores se acham maiores que o clube, e não estão nem aí se a instituição centenária sofrerá as consequências. Ou seja, não honram com a história do time que dizem defender.

Não é um problema exclusivo do Grêmio. Desconheço uma torcida organizada que deixe de ter culpa no cartório. Este mesmo que vos escreve, em sua adolescência, associou-se a maior torcida organizada do Internacional à época, a Camisa 12. Minha participação no grupo durou apenas uma partida. Quando percebi que parte dos integrantes sequer assistia ao jogo e só queria saber de propagar ódio ao adversário, desfiz minha inscrição e tornei a torcer como um colorado comum, na arquibancada inferior.

Mas de volta ao caso da punição inédita aplicada ao Grêmio, todo o real esforço da gestão Fábio Koff  em fazer campanhas contra o racismo e identificar os agressores do goleiro caiu por terra logo na partida seguinte, quando integrantes da Geral tornaram a entoar cânticos racistas, dessa vez destinados aos torcedores do Inter. No gre-nal da Arena, realizado também neste ano, o zagueiro Paulão, do Internacional, também denunciou ter sofrido insultos racistas provenientes das arquibancadas gremistas. Repito: o Grêmio foi punido pela reincidência.

Qual é o recado que esta punição deixa a todos os clubes e suas respectivas torcidas? É preciso ser mais duro e vigilante contra os grupos racistas e violentos. Do contrário, haverá punição. Os torcedores de bem terão de ajudar a identificá-los na hora em que um deles se manifestar, durante o jogo. Que vaiem forte, apontem com o dedo, chamem a segurança ou a polícia.

A punição, extremamente dura, é a única maneira de se formar um exército do bem no clube, obrigando os torcedores sadios a expurgarem os que se acham no direito de proferir injúrias racistas.

É um golpe duro para a imagem institucional do Grêmio de Everaldo, Aírton Pavilhão e Lupicínio, mas a decisão foi tristemente justa.

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