Dona de uma das populações mais diversificadas culturalmente no mundo, a África possui uma musicalidade de fazer inveja. Berço de ritmos como o afrobeat, kuduro e do kriolo de Cabo-Verde, o continente é notoriamente conhecido por essa qualidade. Dois expoentes desta variação rítmica são Fela Kuti e Miriam Makeba, dupla que entrou para história como símbolo das artes e política no século 20. Mas, para provar que a África segue produzindo músicos talentosos, o Projeto Afreaka elegeu os 10 artistas contemporâneos mais descolados de Mãe África.

Com uma voz doce e serena, a maliana Rokia Traore caiu nas graças do mundo da música logo ao lançar seu primeiro disco, Mouneïssa, em 1998. Foto: Michele Careddu

Com uma voz doce e serena, a maliana Rokia Traore caiu nas graças do mundo da música logo ao lançar seu primeiro disco, Mouneïssa, em 1998. Foto: Michele Careddu/Flickr

Richard Bona – Músico africano nascido em uma pequena vila em Camarões, Richard Bona é o que de melhor a música de África ofereceu ao mundo nos últimos tempos. Caracterizado pela fusão do jazz e pop com ritmos africanos, Bona cresceu em uma família musical, seu avô era percussionista, a mãe cantora e as irmãs meninas de coro. Seu primeiro contato com um instrumento aconteceu aos três anos, habituado a chorar sem motivo, o pequeno Richard ganhou um balafon (espécie de chocalho africano de madeira) e ao começar a tocá-lo se encantou e colocou fim na manha. Começava ali uma história de amor e sucesso.

Ao longo de sua carreira o baixista ficou conhecido pelo talento precoce e logo despertou a atenção de nomes como Herbie Hancock e Bob McFerrin. Seu amor pelo Brasil é outra característica que merece destaque. Bona já se apresentou em terras brasilis inúmeras vezes e gravou inclusive com artistas como Djavan, com quem divide os vocais da faixa Manyaka O Brazil.

Salif Keita – Nascido em Djoliba, no Mali, Salif Keita é um dos principais nomes do cenário musical do continente. Apelidado de “a voz de ouro da África”, o cantor é descendente direto do fundador do império maliano, Sundiata Keita. Sua carreira tem início em 1969, ano em que entra para a banda Super Rail Band de Bamako, contudo o auge do sucesso chega em 1970, quando Keita forma o Les Ambassadeurs Internationale, que ganhou fama internacional e foi homenageada com o prêmio National Order, entregue pelo presidente da Guiné, Sékou Touré.

A sonoridade de Salif Keita condensa elementos tradicionais do Oeste africano com influências europeias e norte-americanas. Uma das favoritas do público é a faixa Yamore, lançada em 2002.

Dobet Gnahoré – Nascida em Costa do Marfim, a cantora é um dos nomes mais aclamados na África atualmente. Bonita e talentosa, Dobet faz do palco sua casa e brinda um público com um espetáculo belíssimo e rico em cultura. Além de cantar, ela também é dançarina e percussionista, tendo iniciado a carreira como disco Ano Neko, em 2004.

Sua música se caracteriza por beber na fonte do afrobeat e condensá-lo com elementos do pop africano. Ela já levou pra casa uma estatueta do Grammy, na categoria Música Urabana/ Performance Alternativa.

Rokia Traore – Natural de Kolokani, no Mali, Rokia Traore brinca em sua música com a cultura de diversos países africanos. Suas composições possuem traços do povo da Arábia Saudita e Argélia, por exemplo.

Com uma voz doce e serena, ela caiu nas graças do mundo da música logo ao lançar seu primeiro disco, Mouneïssa, em 1998, que aliado com seu canto calmo e um pouco de percussão, chegou ao primeiro lugar das paradas. A faixa Laidu, do próprio Mouneïssa, descreve bem seu estilo.

Fatoumata Diawara – Se você é do time que não resiste a artistas que cantam em francês, cuidado ao ouvir a obra de Fatoumata Diawara. Outro talento revelado na Costa do Marfim, ela combina o ritmo popular Wassoulou Africano, oriundo do sudoeste maliano, com Jazz e Soul.

Seu estilo de composição é baseado nas tradições Wassoulou, estilo praticado geralmente por mulheres, donas de vocais potentes e que cantam sempre acompanhadas de uma harpa. Fatoumata também é atriz e já atuou numa dezena de filmes. O hit preferido dos fãs é a canção Bissa.

Bilan – Cabo-Verde é daqueles países que parecem ressoar em nossos ouvidos. Com a música não é diferente, pois a miscelânea estética é fascinante nos cantores cabo-verdianos. Um dos mais cultuados do momento é um músico inovador e dono de uma produção singular cantada em kriolu.

Falamos de Bilan, atualmente residente no Norte de Portugal e que faz sucesso com uma poesia própria e em compasso com a realidade cosmopolita urbana. Figura conhecida entre os artistas locais, o cantor já se apresentou nos principais festivais ao redor do planeta. Gilberto Gil é uma de suas grandes influências, entretanto ele reforça sua criação e identidade própria. Menção para as canções Arrependimento e Dia D’Manhã.

Sara Tavares – Cabo-Verde também é tema recorrente na vida desta bela jovem que encanta com seus tons suaves e agudos em letras que exaltam o amor e a alegria de viver. Sua música centraliza as influências de nomes pops do cenário local, como Mayra Andrade e Lura.

Apesar de ter nascido em Lisboa, ela carrega as influências da ascendência cabo-verdiana em todos os álbuns que já lançou. Ouvidos atentos para Bom Feeling.

Seun Kuti – Filho de peixe peixinho é. Seguramente pode-se afirmar que Seun herdou tudo que há de bom na musicalidade de seu pai, o aclamado Fela Kuti. Tendo o saxofone como instrumento principal, o caçula da família Kuti começou a carreira logo após a morte do pai, quando aos 14 anos fundou o Egypt 80, clara alusão ao Africa 70, conjunto formado por seu pai anos antes.

Sucesso por onde passa, o músico ganhou luz própria e trouxe uma pegada moderna ao afrobeat. A discografia de Seun conta com cinco trabalhos lançados, o mais recente é A Long Way To the Beginning, que estreou nas paradas em 2014.

Lura – Com uma pegada swingada, suas canções são contagiantes e não deixam ninguém parado. O canto de Lura exalta nossos ancestrais e também lembram cadências conhecidas dos brasileiros, como a lambada.

A bela moça também possui influências do jazz e do tango. Seu objetivo é acomodar elementos do passado com a música moderna. Indicamos a música Nha Vida.

Titica – Não poderíamos terminar sem destacar o Kuduro, um dos ritmos mais empolgantes da África. Para isso selecionamos Titica, ícone absoluto do gênero. Febre entre os jovens, a cantora é uma transexual nascida em Angola e começou sua carreira nas artes dançando balé.

A artista se destaca também por usar o Kuduro como ferramenta de conscientização entre os jovens de assuntos como sexualidade e drogas. Sua primeira canção foi logo um estouro, Chão se tornou a faixa mais tocada da história do gênero. Ticni, como gosta de ser chamada, já se apresentou em Portugal, Grã-Bretanha e Estados Unidos.

*Por Afreaka

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