Nos últimos anos, o Ministério da Cultura, por meio de suas secretárias e autarquias, como a Fundação Cultural Palmares, tem destinado verba de apoio a projetos específicos de realizadores negros, buscando reparar uma dívida histórica que o Estado Brasileiro tem com a população negra deste país. Entre essas iniciativas, o MinC destinou 4 milhões para o Edital Bolsa Funarte de Fomento aos Artistas e Produtores Negros 2014, que contemplará 45 projetos em todo país.

Hilton Cobra 'Cobrinha' |Foto: Andre Pinnola

Hilton Cobra ‘Cobrinha’ |Foto: Andre Pinnola

“Essa conquista é fruto do engajamento e cobrança feito por artistas negros reunidos em encontros como as três edições do Fórum Nacional de Performance Negra, que sempre teve como meta definida a exigência de políticas públicas de fomento às artes negras”, declara o ator, diretor e gestor cultural, Hilton Cobra, o Cobrinha, um dos criadores do Fórum e coordenador geral da edição de 2015.

O IV Fórum Nacional de Performance Negra reunirá, em Salvador, de 14 a 17 de dezembro, no Teatro Vila Velha, representantes de grupos e companhias de dança e teatro negros de todo Brasil. O evento propõe o debate sobre as políticas públicas e seus impactos no desenvolvimento das artes cênicas negra, tendo como ponto inicial, o marco da dança e teatro negros brasileiros. Toda programação é aberta ao público e a expectativa dos realizadores é atrair mais de 300 participantes, de mais de 80 grupos dos diversos estados do país.

Diretora Fernanda Julia |Foto: Andrea Magnoni

Diretora Fernanda Julia |Foto: Andrea Magnoni

Convidados – Assuntos relevantes para as discussões culturais na contemporaneidade estarão em foco, como por exemplo: o Procultura / Lei Rouanet, a Política Nacional das Artes-PNA e as Políticas de ações afirmativa na Cultura, como cotas e editais específicos para companhias e realizadores negros. Esses são alguns dos temas das palestras que conduziram as mesas de debates do evento. Além disto, o IV Fórum também apresentará performances artísticas, leituras dramatizadas, lançamento de livros e a construção de uma campanha nacional com o mote “Cultura sem racismo”.

Entre os convidados para as mesas estão: o diretor do Centro de Artes Cênicas da Funarte/MinC, Leonardo Lessa; o secretário de Fomento e Incentivo à Cultura do MINC, Carlos Paiva; a deputada federal Alice Portugal, ex-presidenta da Comissão de Cultura da Câmara Federal; as escritoras Ana Maria Gonçalves (Um Defeito de Cor) e Leda Maria Martins (A Cena em Sombra); o cineasta Jeferson De (Bróder e  O Amuleto); o diretor e gestor cultural, Hilton Cobra; o publicitário, Everaldo Oliveira; as sociólogas Luiza Bairros (ex-ministra da Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial-Seppir) e Vilma Reis (Ouvidora-geral da Defensoria Pública da Bahia), entre outros nomes.

Gustavo Melo |Foto: Agatha Oliveira

Gustavo Melo |Foto: Agatha Oliveira

Reflexões e performances – “O IV Fórum parte da necessidade de continuar a discutir as políticas públicas no âmbito das artes cênicas negras, das políticas sociais da comunidade negra e do mapeamento de companhias e de grupos existentes no Brasil”, explica Cobrinha, que esteve à frente da Fundação Cultural Palmares/MinC, entre 2013 e 2014. “O IV Fórum se impõe com força e importância conquistadas nas edições anteriores. Vale ressaltar que foi por conta do Fórum que se deu início a implantação dos editais temáticos. De fato continuará abrindo espaços, buscando proporcionar reflexões cujo objetivo será a melhoria dos nossos trabalhos, o apuro técnico e a inserção no mercado de trabalho dos artistas e técnicos negros”, completa Cobrinha.

Uma das mesas do Fórum terá como tema “Investigações estéticas da performance negra”, reunindo a diretora teatral, Fernanda Júlia, do Núcleo Afro-brasileiro de Teatro de Alagoinhas (NATA), o ator Gustavo Mello, que atualmente realiza Doutorado na Universidade do Texas – EUA, e o premiado diretor musical, Jarbas Bittencourt, responsável pela trilha de espetáculos do Bando de Teatro Olodum e da Cia dos Comuns. Esse debate, que aprofundará o tema da estética da performance negra, acontecerá no dia 16/12, a partir das 9h30.

Além dos debates, o Fórum contemplará a performance por meio de vídeos e cenas curtas (Fórum Se Improvisa) e a leitura dramatizada do texto “Oduduwá – O poder feminino da criação”, de autoria de Fernanda Julia, que também será responsável pela direção. A diretora Fernanda Júlia (‘Erê’ e ‘Exú, a boca do Universo’) reunirá em cena 10 mulheres, entre atrizes, dançarinas e instrumentistas, para contar os mitos e histórias relacionadas à força da mulher e sua importância para a humanidade.  A leitura será realizada no dia 15/12, às 19h, também no Teatro Vila Velha.

O Fórum Nacional de Performance Negra foi criado, em 2005, pelo Bando de Teatro Olodum (Bahia) e pela Cia dos Comuns (Rio de Janeiro), com o objetivo de representar as artes cênicas e promover um espaço integrador das experiências negras nas artes.

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