Para muitos, o natal é mais um período festivo como outro qualquer, sem grandes conotações simbólicas e religiosas. Penso que a nossa relação com a vida é sempre atravessada por ricas e complexas simbologias e, quando as aprofundamos, podemos descobrir tesouros inestimáveis e doses elevadas de mistério. O mistério é sempre aquilo que podemos eternamente utilizar para construir sentidos e significações.

Foto: mgkm photography

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O Natal, a meu ver, cumpre uma dupla função: delimita o nosso tempo, nos relembrando das finitudes da vida e nos possibilitando renovar a esperança que é uma das molas produtoras da mesma. Como gosto muito de etimologia, recorro à mesma para afirmar que esperança tem a ver com o sentimento de quem vê como possível a realização daquilo que deseja; confiança em coisa boa; fé. A esperança, afirma-se, não engana, pois sempre nos remete ao além, àquilo que está por vir.

O Natal e as festas de fim de ano do calendário civil são períodos propícios para esperançar. E o que seria este ESPERANÇAR? Esperançar é ser capaz de contemplar e de construir o longo caminho do que virá. Preparar o caminho é a nossa meta de vida. Inclusive preparar para aqueles e aquelas que virão após nós, as futuras gerações.

ESPERANÇAR lembra CAMINHAR, PLANEJAR, REATAR, RECOMEÇAR…

São tantos os sentidos que podemos construir associando livremente esse significante esperançar. Sinto em mim que o Natal nos possibilita renascer. Sendo assim, cada pessoa tem sua maneira singular de renascer. Algumas pela via do amor, via dolorosa, dilacerante por vezes. Outras renascem pela força das contingências da vida, do acaso ou do inesperado. Já tantos outros são capazes de dar o primeiro passo em busca dos novos caminhos de fraternidade.

Ao escrever este texto, fico me questionando: Será que estas palavras já estão batidas? Será que farão eco a algum coração? Não sei, respondo categoricamente. Ou, de outra forma, só sei que nada sei, parafraseando o filósofo. Entretanto, recorrendo aos saberes não sabidos da psicanálise, prefiro ficar com a (in)certeza de que palavras são palavras… Criam realidades, significam o mundo, penetram nas almas daqueles que se deixam afetar… AFETAM… Mais uma vez, o verbo se faz carne. E o que é o verbo? A palavra. Sim, esta palavra que se concretiza em nossa vida. Sejamos, portanto, sujeitos esperançosos afetados pelas palavras que nos tecem diariamente e pela beleza e pureza da criança ícone que (re)nasce neste dia.

Finalizando mais um ciclo anual, desejo a todos vocês um período rico de mudanças e de renovação!

Até 2016!

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