Dia das Mães…

Acordei desejoso de falar ao coração dos que não tem mãe, dos que tem e das que são, bem como dos homens que são pai e mãe. Como assim?!

Dia das Mães antecipado para mães internas do Conjunto penal feminino de Salvador. | Foto: Rafael Martins/SECOM

Dia das Mães antecipado para mães internas do Conjunto penal feminino de Salvador. | Foto: Rafael Martins/SECOM

Sim, daqueles que não tem a mãe socialmente construída e representada. Daqueles e daquelas que hoje sofrem pelos constrangimentos desta data. Que muitas vezes não podem falar sobre este mal estar, pois a cultura preparada não está para lidar com a incompletude, com o furo, com o que destoa. Daqueles que exercem essa função, sejam mulheres ou homens…

Mãe, pai, adolescência, adultez, velhice… Construções imaginárias necessárias para lidar com o insuportável. Somos produto e produtores desse longo caminhar humano. De uma coisa sei (ou talvez não saiba), há mulheres que não se enquadram nas representações sociais sobre a mãe. Há mães que não queriam ser. Há mães que são e não são. Por agora, me questiono sobre as possíveis relações entre mãe e os arquétipos… Deixo em aberto para que outros possam contribuir…

A você que não tem uma experiência positiva da maternagem, peço para que lembre-se que são funções, papéis, convenções estruturantes e estruturadoras. Lembre-se das figuras parentais ou não parentais que contribuíram para a sua formação. “Ainda somos os mesmos e vivemos como” nossas mães???

Foto: Ferran Jordà

Foto: Ferran Jordà

Que um sentimento de gratidão lhe invada, pois todas e todos nós tivemos que nos constituir em cima dessas representações. Nosso self é perpassado por tantos outros, inclusive por outros (des)conhecidos, Outro, outros… Grandes e pequeninos outros!

Neste dia das mães, aproveite para ver além da data, para reler sua história e a de sua sociedade com olhares mais humanamente transformadores…

(In)finalizando, pontuo que hoje é domingo, para os cristãos, Dominus Dei. E estamos em Maio. Para os católicos, mês da mãe, da mulher… Não apenas da mulher do silencio ou silenciada, mas daquela mulher que foi uma das poucas a ficar de pé. Daquela que gerou vida (com)partilhada sabendo que seu filho não seu apenas seria, mas do mundo e para o mundo.

Às mães, repito interiormente: continuem a ser fecundas de todas as formas, pois o ventre não é só biológico, ele é existencial.

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