À medida que os anos passam, o sentimento de efemeridade atravessa minha humanidade. Digo isso com muita convicção. Todas as vezes, por exemplo, que visito minha primeira comunidade nas missas dominicais e vejo as gerações que se foram, as que cresceram e as que nasceram, me vejo questionado pela assertiva: quão bela, meu Deus, e efêmera é a vida!

Neste ano de 2016, tenho refletido muito sobre as questões existenciais e acerca do que vale a pena ser vivido. O fim de um ciclo, de um relacionamento, de um ano, marca para nós que também há de chegar o nosso fim. Que fazemos com isto? Somos capazes de falar sobre? Nossa cultura dominante consegue criar dispositivos para lidar com essas questões? Valorizamos quem nos acompanha na jornada da vida?

Para muit@s, é extremamente difícil lidar com a finitude numa cultura que coloca a vida como bem maior e esquece que tudo passa e nós também passaremos.

Foto: Jorge Montero Tapia

Foto: Jorge Montero Tapia

O que realmente importa talvez seja a qualidade com que levamos a nossa existência (e isto é bem singular e não está necessariamente ligado aos bens materiais que temos) e a intensidade como marcamos a vida dos outros e outras. A escrita, por exemplo, é para mim uma forma de afetar afetando-me.

Nesse último texto de 2016, um ano que para muitos não foi fácil, escrevo para marcar que minha vida tem valido à pena até a presente data, já que não sabemos o dia de amanhã. Como está sendo a sua, leitor(a)?

Que falar então, Adailton, em um texto que marca um fim e que almeja oferecer lampejos de uma estrada nova que se abre? Talvez não seja tão necessário falar. Talvez seja o momento de silenciar e oferecer a cada um período de pausa. Pronto. (In)terminarei meu texto por aqui… te oferecendo a escuta para quer possas se escutar…. e mais 365 dias, caso a vida te permita, de novos anos novos e vidas novas!

PS: Saiba que, apesar de todas as agruras, é tão linda a vida!

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