Rapaz, tô no metrô.

Entraram quatro pessoas agora: uma cega com um menino de uns dez anos, uma mulher visivelmente idosa e uma outra mulher madura, mas mais nova.

Eu ia dando o lugar para a cega, quando uma pessoa na frente já levantou e colocou-a sentada.

Então resolvi dar lugar à idosa, que, quando olhei, já tava sentando ao meu lado, porque o carinha cedeu lugar.

Apesar de nenhuma das poltronas ser reservada, considero indiscutível ceder lugar aos que ficam mais vulneráveis aos movimentos do metrô.

Beleza.

Quando eu olhei para a terceira mulher, na intenção de ceder lugar para ela ficar ao lado da idosa, ouvi uma indireta:

– Ahhhhh ninguém te deu lugar só porque você é mais nova.

E me olhou de rabo de olho.

Bonita, reencaixei meu rabo no banco e tô aqui escrevendo sem nem olhar pra cara.

 

 

*Ilustração: Cadu Freitas

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