Quando as portas do Elevador Lacerda são abertas, tento seguir em direção ao Pelourinho, mas minha cara de turista gringo me denuncia aos vendedores de fitinhas do Bonfim, que precisam de poucos segundos para me abordar.

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Para despistá-los, tento fazer o movimento contrário, passando pela Cubana até chegar àquela proteção em que é possível se deparar com a vista ímpar da Baía de Todos os Santos. Faz um dia de muito calor na primeira capital do País.

Mas um dos fiteiros, mais insistente, não desgruda de mim. Respeito o trabalho dele e sou sensível ao fato de que está “na correria”, sob um sol escaldante, enquanto estou passeando. Todavia, sempre fico incomodado quando alguém supõe que sou turista. Sou baiano por merecimento, diria Carybé!

– Ei, brother: fitinha do Bonfim, Brazil, Pelé, Neymar…
Já é o bastante para a minha baianidade nagô ser ferida de morte.
– Não, amigo, obrigado! Eu sou daqui!
O meu “eu sou daqui” não convence o vendedor de fitinhas, que faz uma cara de “quem é que ele pensa que está enganando?”.
Ele insiste e estende a mão, que carrega uma fitinha e um terço.
– Tome aqui, patrão! É presente!
– Não, obrigado. Você não está acreditando, mas eu sou daqui, talvez seja mais baiano do que você.
Ele me questiona:
– Você mora aonde?
– Boca do Rio.
– Bahia ou Vitória?
– Galícia!
Ele não compreende.
– Galícia??? Galícia existe? É aqui de Salvador mesmo?
Respondo com um sorrisinho sarcástico, de triunfo:
– Existe sim! Está na primeira divisão! Não falei que era mais baiano do que você???
Vencido, ele aperta a minha mão e, enfim, me deixa prosseguir.

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