A cueca estendida no varal improvisado, em frente à casa de praia, esperando secar ao sol, atrasava a partida. Resultado de uma noite de amor reprimido. Culpa do mar de Boipeba. Dizem que as águas mornas de determinados pontos paradisíacos daquela ilhota bela, exercem poderes afrodisíacos sobre casais que trocam carinhos dentro delas.

Afrânio estava sedento. O dia inteiro, puro chamego dentro d’água. Apenas o sol, o azul do mar e o verde da mata escondiam aquele paraíso e testemunhavam o ousado amaça-amaça do casal Franinho e Leila.

O namora nas afrodisíacas águas mornas, no cair do dia, em Boipeba... | Foto: Cadu Freitas/BnL

O namora nas afrodisíacas águas mornas, no cair do dia, em Boipeba… | Foto: Cadu Freitas/BnL

– É hoje que me dou bem, que saio da ‘fome zero’! – se animava Afrânio. Afinal, todo aquele fogo dentro do mar haveria de render uma bela noite de prazer.

– Hoje tem, heim, Leila?

No vulco-vulco, o casal tentou até ir aos finalmentes, ali mesmo. Mas era aventura demais.

– Dentro d’água? Sei não, Franinho. Mesmo deserta, tem gente que volta e meia passa por aqui. Melhor não arriscar – prevenia Leila.

A tarde cai, e após um romântico pôr do sol, o casal se recolhe a casa de praia. Jantar leve, para não pesar na hora do vamos ver. Tudo esquematizado na cabeça de Franinho. Passeio breve na pracinha da vila e…

– Vamos pra casa dormir, mô? – chamava Leila.

– Dormir, Leilinha?! Aoooonde! Vamos deitar… – amaciava Afrânio.

Já em casa, após o asseio noturno, o casal vai deitar. De lado, com a cabeça apoiada na alavanca feita com o braço esquerdo, apenas de cueca, com olhar sedutor, Afrânio bate três vezes com a mão direita sobre cama.

– Vem cá, mô…

– Nem inventa, Franinho. O dia inteiro na praia foi muito cansativo: tô moooorta! Vamos dormir.

Desiludido, com tesão reprimido, Afrânio adormece. De manhã cedo, acorda com o ‘copinho’ da cueca todo melado…

– Que foi isso, Franinho? Que horror! – se exaspera Leila.

– Isso foi o balde de água fria que você jogou em mim, ontem à noite, depois de um dia inteiro de chamego. Mexeu demais no bicho, é igual a champagne: estourou!

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