O Departamento de Justiça dos Estados Unidos, o FBI (Polícia Federal norte-americana) e do Internal Revenue Service (IRS), uma espécie de Receita Federal norte-americana, afirmaram que as investigações sobre a Federação Internacional de Futebol (FIFA) estão só começando e que o objetivo é acabar com a “corrupção sistêmica” que atinge a entidade internacional. O o ex-presidente da Confederação Brasileira de Futebol (CBF) José Maria Marin e mais seis dirigentes da agremiação foram presos em Zurique, na Suíça, na quarta-feira, 27 de maio.

Os casos de corrupção supostamente praticados por dirigentes da Fifa, entre eles José Maria Marin, envolveriam negócios com os países-sede das copas do mundo na Rússia, em 2018, e no Qatar, em 2022, revela Justiça americana. | Foto: Tomaz Silva/Arquivo Agência Brasil

Os casos de corrupção supostamente praticados por dirigentes da Fifa, entre eles José Maria Marin, envolveriam negócios com os países-sede das copas do mundo na Rússia, em 2018, e no Qatar, em 2022, revela Justiça americana. | Foto: Tomaz Silva/Arquivo Agência Brasil

Os demais dirigentes da Fifa presos são Jeffrey Webb, Eduardo Li, Julio Rocha, Costas Takkas, Eugenio Figueredo e Rafael Esquivel. Segundo o Departamento de Justiça dos Estados Unidos eles estavam em um hotel na cidade suíça, na hora da operação policial.

Os dirigentes foram indiciados por extorsão e corrupção pela procuradoria de Nova York, que investiga o caso. Segundo o Departamento de Justiça norte-americano, 14 réus, entre eles os dirigentes da Fifa presos, são acusados de extorsão, fraude e lavagem de dinheiro em “um esquema de 24 anos de enriquecimento por meio da corrupção no futebol”.

O Ministério Público da Confederação Helvética instaurou nesta quarta-feira (26) um processo penal contra os dirigentes para apurar as suspeitas de pagamento de suborno na escolha dos países-sede das duas próximas Copas do Mundo: Rússia, em 2018, e Catar, em 2022.

Em entrevista coletiva, a procuradora-geral dos Estados Unidos, Loretta Lynch, os diretores do IRS, Richard Weber, e do FBI, James Comey, apresentaram detalhes sobre a investigação de esquema de corrupção, extorsão e lavagem de dinheiro. Pelo menos US$ 150 milhões foram usados nas transações investigadas.

‘Máfia’

A procuradora Lynch comparou a Fifa a organizações de família da máfia e cartéis de drogas. “Os esquemas envolvem altos executivos, outras agências e milhões de dólares que foram usados para o pagamento de propinas”, disse.

Segunda ela, o suborno foi amplamente usado em todas as esferas da organização. “Esses indivíduos e organizações eram envolvidas em suborno para decidir quem iria transmitir jogos e onde seriam os jogos em nível mundial desde 1991”, observou.

De acordo com o FBI, pelo menos duas gerações de dirigentes de futebol usaram as suas posições para solicitar subornos de empresas esportivas por trocas de direitos comerciais sobre torneios. “Isso foi feito ano após ano”.

Lynch detalhou que a próxima etapa do processo será pedir a extradição dos acusados aos Estados Unidos, para que sejam julgados. “Eles corromperam os negócios do futebol mundial para servir os seus interesses e para se enriquecerem pessoalmente”, acusou.

Sobre a investigação, o diretor do FBI, James Comey, afirmou que o processo não foi finalizado. “É apenas o começo do esforço contra a corrupção no mundo do futebol”, disse. Conforme o diretor, o esporte foi “sequestrado pelos envolvidos no escândalo”.

“O futebol é um belo jogo, o gramado está disponível para todos, ricos ou pobres, homens e mulheres. A verdadeira vítima é o futebol. Essas pessoas conseguiram tirar muito dinheiro graças ao amor que esse esporte desperta”, concluiu.

Copa no Brasil

A investigação inclui as negociações para a Copa do Mundo 2014 no Brasil. As autoridades suíças revelaram ter instaurado uma investigação sobre a escolha das sedes dos mundiais de 2018 e 2022, Rússia e o Catar, respectivamente.

“O governo tem todo interesse que a verdade seja trazida à baila e os eventuais culpados sejam punidos no rigor da lei, dentro do que ela determina”, defendeu o ministro do Esporte, George Hilton.  Para ele, é preciso aguardar o desdobramento dos fatos: “Acho que é importante a gente deixar acontecer essas investigações. Vamos acompanhar e o governo terá  um comportamento dentro do que a legislação exige e tem que ser feito”.

Para Hilton, não há, até agora, qualquer indício de irregularidades em relação à Copa do Mundo do Brasil. Por isso, na avaliação dele, “é precipitado falar qualquer coisa sobre o assunto”. Hilton ressaltou que o governo brasileiro vai acompanhar todas as investigações e quer que tudo seja esclarecido.

Dilma: ‘investigação sobre corrupção na Fifa vai beneficiar o futebol’

Mas a presidenta Dilma Rousseff, que está em visita de Estado ao México, já adiantou que a investigação sobre corrupção na entidade vai beneficiar o Brasil e permitir mais profissionalização do futebol. “Acredito que toda investigação sobre essa questão é muito importante, acho que ela vai permitir uma maior profissionalização do futebol. Não vejo como isso pode prejudicar o futebol brasileiro, acho que só vai beneficiar o Brasil”, afirmou.

Para ela, a investigação é positiva, inclusive sobre as denúncias que envolvam a organização da Copa do Mundo no Brasil, em 2014: “Acho que se tiver que investigar, investigue todas as Copas, todas as atividades. Isso vale para todos, vale desde a [Operação] Lava Jato até essa prisão, há que investigar, não vejo por que não”.

Marin afastado

A Fifa anunciou o afastamento provisório do futebol de 11 pessoas investigadas pela Justiça dos Estados Unidos. A decisão foi anunciada pelo presidente do Conselho de Ética da entidade, Hans-Joachim Eckert, poucas horas após sete dirigentes da entidade serem detidos na Suíça, acusados de corrupção para negociar as escolhas dos países-sede das copas do mundo da Rússia, em 2018, e do Catar, em 2022; o direito de transmissão dos jogos e contratos de marketing. Entre os afastados está o ex-presidente da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), José Maria Marin.

“As acusações estão claramente relacionadas com o futebol e são de natureza tão grave que era imperativo tomar uma ação rápida e imediata. O processo seguirá o seu curso em linha com o Código de Ética da Fifa”, diz Eckert em nota divulgada pela federação.

Romário comemora

Romário afirma que prisão de dirigentes da Fifa pode significar o início de mudanças no futebol. | Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

Romário afirma que prisão de dirigentes da Fifa pode significar o início de mudanças no futebol. | Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

O senador Romário (PSB-RJ) comemorou a prisão do ex-presidente da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), José Maria Marin, na Suíça. Crítico das ações do dirigente na confederação, o parlamentar destacou que a ação da polícia, em Zurique, pode significar o início de mudanças no futebol brasileiro.

“Corruptos e ladrões que fazem mal ao futebol foram presos, inclusive José Maria Marin. Ladrão tem que ir para cadeia. Parabéns ao FBI [Polícia Federal norte-americana]. Infelizmente não foi a gente [polícia brasileira] quem prendeu”, disse em audiência pública na Comissão de Educação do Senado que debate a situação do futebol feminino no país.

*Agência  Brasil | Edição: Cadu Freitas/BnL

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