Diante de mim, no ônibus que faz a linha Aeroporto-Lapa, estão sentadas duas jovens turistas. Parecem francesas. Quando o coletivo passa pelo Shopping Barra e entra na rua que dá acesso ao Cristo, uma delas se levanta bruscamente, quase que em desespero, e faz sinais para o cobrador com os braços – a mímica dá a entender que ela quer saber onde descer. O cobrador responde, sem paciência:

– Você tem que descer no próximo ponto!
Ela não entende. Ergue os dois braços para demonstrar que não entendeu a resposta do cobrador. A turista sente que deve estar perto do lugar certo para descer, mas não tem certeza. Então, ela balbucia as poucas palavras em português que domina:
– Eu não falo português!
Temos um impasse na Barra.

Incrédulo com o despreparo do cobrador, que apesar de trabalhar em uma cidade turística, uma das 12 sedes da Copa do Mundo, em plena linha Aeroporto, está mais perdido que cachorro em caminhão de mudança, vejo-me obrigado a utilizar meu inglês nota 5, válido apenas para a sobrevivência. Duas palavrinhas bastam.

Next point!

OK! Thank you! Respondem as gringas, aliviadas, ainda em tempo de descerem no ponto certo.

Eu reflito, durante o meu trajeto até a Boca do Rio: o cobrador é o menos culpado. Ele certamente ganha um salário de fome para trabalhar muito e não ter o reconhecimento devido, enquanto seus patrões nadam na grana e não investem na capacitação dos funcionários para melhorar o serviço tanto para os turistas, como, principalmente, para nós cidadãos de Salvador. O poder público também faz pouco ou quase nada a respeito.

E assim nós seguimos em nosso despreparo, enquanto o Cristo da Barra aponta para a Baía de Todos os Santos, indicando que o caminho existe, mas ainda estamos bem distantes dele.

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