Este 13 de junho entra para a história das Copas do Mundo.

O dia começou com a Orange Square, uma verdadeira invasão de holandeses à Salvador – mas dessa vez por terra, e não por mar, como em outros séculos. As ruas do Pelourinho foram coloridas de laranja.

Mas a considerável colônia espanhola da capital baiana também fez seus festejos. O Clube Espanhol, na Barra, estava repleto de espanhóis e descendentes da terra de Cervantes, a fim de prestigiar a estreia da atual campeã mundial.

E a bola rolou na Arena Fonte Nova para o primeiro grande jogo da Copa no Brasil. E as lanchonetes do estádio não tinham troco e só vendiam a débito, o que irritou alguns torcedores. Faz parte do “padrão Fifa”… Mas esse foi um mero detalhe.

E o Diego Costa, anti-herói em sua pátria-mãe, sentiu o peso das vaias a cada vez que tocava na bola. Mas mesmo em uma jornada abaixo da crítica, o sergipano naturalizado espanhol mostraria que tem estrela, aos 25 minutos, quando cavou um pênalti após ser supostamente calçado por De Vrij. O árbitro italiano Nicola Rizzoli, tão ruim quanto os que comandaram as outras duas partidas do mundial, caiu na dele e assinalou a penalidade. Xabi Alonso cobrou bem e abriu o placar para os espanhóis em Salvador.

Antes disso, aos 7 minutos, o algoz brasileiro em 2010, o holandês Sneidjer, havia perdido um gol na cara de Casillas, que cresceu para cima do meia-atacante e operou grande defesa.

Com seu tradicional toque de bola envolvente, a Espanha mantinha a posse de bola, e comandava as principais ações da partida, mas a Holanda de Van Gaal  montou um cinturão defensivo quase que impenetrável: postava o time em um pouco habitual 5-2-1-2, com uma linha de cinco defensores mais dois volantes; ao atacar, mudava para o 3-4-1-2.

Mas aí os torcedores que estavam na Fonte Nova e os espectadores diante da tevê, em todo o mundo, foram presenteados com um lance de rara beleza: Blind vislumbrou o avanço de um até então apagado Van Persie que, ao perceber o goleiro Casillas adiantado, mergulhou para cabecear e fazer a bola encobrir o ídolo espanhol: a Holanda chegava ao empate.

Só que o destino havia escrito que a tarde seria de Robben. O carequinha experiente do Bayern de Munique comandou a virada holandesa. Primeiro, desviou mais uma bela assistência de Blind para vencer Casillas. Depois, assistiu o zagueiro De Vrij marcar o terceiro, de forma ilegal. Embora tenha saído mal após cruzamento, o goleiro espanhol sofreu carga do holandês quando saltou, o que acabou tirando-o do lance. O árbitro italiano Nicola Rizzoli nada marcou. Inconformado, o goleiro recebeu cartão amarelo por reclamação.

O terceiro gol fez muito mal a Espanha. O descontrole de Casillas pôde ser comprovado no quarto gol da Holanda. Ao receber uma bola recuada, o goleiro dominou mal justamente diante de Van Persie. Frio e oportunista, o centroavante roubou a bola e transformou a partida em uma goleada holandesa.

Só que ainda faltava a pá de cal. Melhor jogador em campo, o infernal Robben recebeu lançamento longo, ganhou de Sergio Ramos em uma arrancada impressionante, driblou Casillas e fez o quinto.

E os torcedores gritavam olé a cada toque de bola dos holandeses. E a cor laranja se fez ainda mais presente na Arena Fonte Nova, embora a Holanda tivesse jogado de azul.

E os holandeses sentiam-se vingados pela final da Copa de 2010, na África do Sul.

Como bem destacou meu amigo Ricardo Durkein: vai faltar cravinho para tanto holandês hoje à noite, no Pelourinho.

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