Assegurar o direito pleno à vida, essa foi a principal demanda levantada no ato em comemoração ao Dia Internacional da Juventude, cujo o tema foi o ‘Genocídio da Juventude Negra’, ocorrido na quinta-feira, 13 de agosto, na Assembleia Legislativa. Para a deputada Luiza Maia (PT), proponente da audiência, a sociedade precisa reagir para que os elevados índices de extermínio não aumentem.

Foto: Marcelo Ferrão

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“Apesar de ‘genocídio’ ser uma palavra forte, o que tem ocorrido na Bahia e no Brasil com a juventude negra é realmente um extermínio. Dos jovens assassinados no país, cerca de 77% são negros [dados do Mapa da Violência 2014]. Temos algo evidente: é preciso ganhar a sociedade para fazer o enfrentamento a este drama social”, disse a parlamentar.

Tirar essa juventude – negra, pobre e da periferia – da invisibilidade é outra tarefa essencial. “Os traços mais conservadores da sociedade tem elegido o público alvo para o extermínio. Seguindo a lógica excludente do capitalismo, é preciso ‘se livrar’ dos ‘indesejáveis’, então essa ‘população não produtiva’ é eliminada”, apontou o historiador Wilson Matos, secretário de Articulação Institucional da Uneb.

Deputada Luiza Maia. | Foto: Marcelo Ferrão

Deputada Luiza Maia. | Foto: Marcelo Ferrão

Já Cristiano Lima, coordenador da Juventude da Secretaria de Promoção da Igualdade Racial, destacou que é preciso combater o racismo institucional e a violência contra jovens negros com um plano específico. “Uma política geral não contempla o jovem negro. Mas o governo quer ampliar as ações de combate a essa realidade”, disse o representante do governador.

“A exposição dos corpos esquartejados dos heróis da Revolta dos Búzios, em praça pública, continua sendo reproduzida hoje, com os corpos assassinados dos jovens negros nas periferias da Bahia. O jovem negro vive uma luta diária pela sobrevivência, sendo o maior risco a cor da pele deles”, afirmou Raquel Alves, do Coletivo Flor de Mandacarú.

Foto: Marcelo Ferrão

Foto: Marcelo Ferrão

Estudante do Colégio Estadual José Freitas Mascarenhas, em Camaçari, a jovem Thaiane Vitória, de 17 anos, clamou para que o Estado, por meio da polícia, não reprima a juventude negra, pobre, de bairros carentes e de escolas públicas, mas os protejam: “Não somos ‘ninguém’, como dizem”.

Na opinião de Pedro Correia, da Associação de Grêmios e Estudantes de Salvador, para reverter o quadro negativo contra jovens negros, a escola precisa cumprir um papel social, mudando os padrões excludentes e formando os estudantes para potencializar seus talentos.  

Professor Wilson Matos. | Foto: Marcelo Ferrão

Professor Wilson Matos. | Foto: Marcelo Ferrão

Para DJ Branco, secretário Executivo do Conselho do Desenvolvimento da Comunidade Negra da Bahia, o governador Rui Costa precisa enviar à Assembleia Legislativa um decreto para acabar com os autos de resistência: “Assim irá frear o gatilho da polícia e diminuir o extermínio da juventude negra”.

Raquel Alves. | Foto: Marcelo Ferrão

Raquel Alves. | Foto: Marcelo Ferrão

Jabes Soares, coordenador Estadual de Juventude, defendeu que a juventude negra saiu da invisibilidade com os governos democráticos. Anderson Dória, representante do JPT, e Agnaldo Almeida, do Conselho Estadual de Juventude, também pediram o fim dos auto de resistência e a não redução da maioridade penal.

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