Vai aí uma apimentada, à moda da Bahia, na sua sexualidade? “Ele ainda toma-me. Por dentro, por fora e nos pensamentos. Intensivamente”… A educadora sexual Aline Castelo Branco, baiana, também escritora e jornalista, brota sua revolução sexual nas terras do dendê como um novo tempero para moqueca. Não o prato típico, mas uma metáfora à quentura, sabores e cheiros que o sexo desperta no homem, na mulher. Em entrevista exclusiva ao Bahia na Lupa, a sexóloga quebra tabus, divulga seu polêmico curso de masturbação feminina e vai da piriquita à erudição sem titubeios. Vale a pena se deliciar…  

A baianíssima Aline Castelo Branco é educadora sexual, escritora e jornalista | Foto: Arquivo Pessoal

A baianíssima Aline Castelo Branco é educadora sexual, escritora e jornalista | Foto: Arquivo Pessoal

A masturbação feminina ainda hoje, mesmo com todo esse acesso à informação, ainda é um tabu. O curso vai trabalhar aspectos psicológicos ou apenas a questão prática?

A masturbação feminina é vista ainda como um pecado. O homem já nasce sabendo se tocar, a mulher não. Muitas nem conhecem seu órgão genital, não sabe diferenciar vagina, clitóris, vúlva. O curso vem justamente para romper as barreiras da repressão sexual sofrida pela mulher durante anos. Muita gente pensa que vai ter prática, que as participantes vão ficar de pernas abertas mexendo na piriquita. Não é nada disso. Vamos mostrar através de uma prótese quais pontos são melhores para que “ela” sinta maior prazer. Vamos mostrar massageadores que ajudam a chegar ao orgasmo com mais facilidade e trabalhar o emponderamento da mulher.

Aline ministrando curso 'Arte da Sedução'. | Foto: Divulgação

Aline ministrando curso ‘Arte da Sedução’. | Foto: Divulgação

A religião também vê com muitas ressalvas, na verdade, condena essa prática. A divulgação desse curso causou muita polêmica, já que há setores religiosos muito reacionários no país? Ou tem sido de boa?

Por incrível que parece, esse curso foi bem mais aceito do que o do sexo oral, que lançamos em 2013. Esse sim, causou mais polêmica. O de masturbação, as mulheres ficaram enlouquecidas. Recebemos mais de 400 e-mails solicitando a inscrição. Isso mostra o quanto as mulheres estão interessadas em melhorar seu desempenho sexual e, principalmente, ter prazer. Um terço das mulheres brasileiras nunca chegaram ao orgasmo, esse dado é forte. Já pensou nuca ter gozado na vida?

Os cursos, mesmo que polêmicos, empoderam a mulher, afirma... | Foto: Arquivo Pessoal

Os cursos, mesmo que polêmicos, empoderam a mulher, afirma… | Foto: Arquivo Pessoal

Quem for participar do curso vai encontrar o quê de novidade? Dá pra falar sem revelar muito? (Risos)

Então… Primeiro elas vão responder um questionário sobre masturbação. Em seguida vamos ter apresentação de um vídeo, depois a abordagem sobre sexualidade feminina e, depois, elas vão conhecer partes do corpo de maior sensibilidade. Isso vai dar mais poder para que ela comande o sexo e diga ao parceiro: olha, eu quero assim, eu quero assado. A partir de agora é do meu jeito.

Vocês recebem feedback do pós-curso? A mulherada tem aceitado bem essa nova tendência?

Sim. Um mês depois do curso entramos em contato com todas as participantes para saber se surtiu efeito. Afinal, serve como um termômetro para que a gente possa melhorar as próximas edições.

Sobre o curso de Masturbação... | Foto: Divulgação

Sobre o curso de Masturbação… | Foto: Divulgação

O que vc diria para os conservadores ou preconceituosos que dizem que esse tipo de curso é pra “quem não presta”? Se é que há esse tipo de rotulação…

Eu diria que o bom da vida é Amar, Transar e Gozar! Quem não goza é infeliz. E nosso objetivo é Educar Sexualmente as pessoas. Sexualidade é aprendida. Sempre. Ninguém ensinou a gente como transar. Vamos aprendendo no dia a dia. Se tiver pessoas que ensinem técnicas, melhor. Então, O Mundo da Intimidade nasceu para isso.

Promovido pelo portal Mundo da Intimidade, a primeira edição do curso de masturbação feminina ocorrerá em Salvador no dia 10 de setembro. Ministrado pela educadora sexual Aline Castelo Branco e pela sexóloga Karla Kalil, o evento pretende ajudar as participantes a conhecerem seus órgãos genitais e os pontos de maior sensibilidade do corpo, além de entender as diferenças entre orgasmo clitoriano e vaginal. O custo é de R$ 50 (inscrições por e-mail: cursosintimidade@gmail.com)

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